Perguntas Frequentes

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O que é Budismo Theravada?
Theravada é a mais antiga dentre as tradições budistas ainda ativas na época atual. Ela baseia seus ensinamentos no cânone em pāli, que historiadores em geral reconhecem como sendo o registro mais antigo e muito provavelmente o mais fiel ao que o Buddha de fato ensinou a seus discípulos. A palavra Theravada significa “a doutrina (vada) dos anciãos (thera)”, e como o próprio nome indica, se caracteriza por tentar aderir ao máximo aos ensinamentos mais antigos, praticá-los e preservá-los. As regiões do mundo onde é mais comum atualmente são Sri Lanka, Myanmar, Tailândia, Laos, e em menor escala, Camboja e Vietnã.

A ênfase da tradição Theravada de budismo é da conduta moral servindo de base para uma mente saudável que então pode ser desenvolvida para ganhar ainda mais qualidades continuamente, até alcançar um alto nível de sabedoria e pureza, suficientes para quebrar o ciclo de nascimento e morte e alcançar a liberdade e a realização de Nibbāna. Apesar de também existirem aspectos devocionais no budismo Theravada, o caminho de libertação não passa por cerimônias místicas ou depende da bênção ou aprovação de deidade alguma, mas sim do esforço e dedicação do estudante, além de prática correta. Para aqueles que ainda não conhecem nada sobre budismo, sugerimos a leitura de ABC do Budismo.

Theravada e as demais tradições.
O budismo Theravada é a linhagem ortodoxa do budismo, uma linhagem que se propõe a preservar os ensinamentos e práticas originais presentes na época em que o Buddha ainda era vivo.

A grande maioria das tradições budistas presentes no mundo atual derivam de um movimento de reforma iniciado cerca de 400 anos após o falecimento do Buddha. Este movimento trouxe uma nova abordagem aos ensinamentos do Buddha, e, talvez sua característica mais marcante, mudou o foco da prática para dar ênfase quase exclusiva ao ideal do Bodhisatta, introduzindo a ideia de que os Arahants não estão de fato iluminados e que somente os Buddhas alcançam verdadeira iluminação. Portanto, rejeitaram a figura do Arahant, tomando-o por um caminho egoísta, e focaram no caminho de prática do Bodhisatta (um aspirante a tornar-se um Buddha); se autodenominaram Mahāyana e então passaram a chamar os budistas ortodoxos de Hinayana. Os praticantes do Theravada não aceitam a denominação Hinayana pois a consideram ofensiva – o termo hīna significa “inferior, grosseiro, de má qualidade”. Para mais detalhes sobre este assunto, recomendamos a leitura deste texto: Arahants. Bodhisattvas e Buddhas.

Ambas as linhagens de pensamento evoluíram por mais de 2000 anos de história, e principalmente o Mahāyana, acabaram por subdividir-se em várias centenas de escolas e tradições, incluindo aqui as diversas tradições tibetanas (que preferem ser chamadas de Vajrayana) e as escolas Zen e Terra Pura, que prosperaram principalmente na China, Japão e Coreia.

Entre as principais diferenças entre o budismo Theravada e as diversas tradições Mahāyana e Vajrayana podemos citar:

    • No Theravada não há obrigatoriedade em fazer-se o voto de Bodhisatta. Aqueles que quiserem podem fazê-lo, aqueles que quiserem podem almejar tornarem-se Arahants, Pacceka Buddhas ou não precisam ter um objetivo definido, podem apenas melhorar e purificar a si mesmo continuamente sem fazer compromisso com um ou outro caminho específico.
    • O Theravada afirma que os Buddhas e os Arahants alcançam a exata mesma iluminação. O próprio Buddha é visto nas escrituras antigas afirmando isto categoricamente e ele mesmo se declarava um Arahant. Faz inclusive parte do cântico mais básico que todas as escolas recitam: Namo tassa bhagavato arahato sammā-sambuddhassa.
    • Não é dada tanta ênfase aos aspectos divinos do Buddha. Embora também haja menção deles nas escrituras, a ênfase é mais dada a seu aspecto humano. Em vez de retratá-lo flutuando no espaço emanando raios de luz, o Buddha é em geral retratado ao pé de árvores, ensinando, se alimentando como as demais pessoas e mesmo sofrendo das doenças normais que todos experienciam.
    • O Theravada não reconhece Bodhisattas como seres plenamente iluminados. Os entendemos como seres excelentes, dignos de reverência, gratidão e emulação, mas ainda não alcançaram Nibbāna como os Arahants e os Buddhas fizeram.
    • O Theravada não reconhece um segundo ou terceiro “por em movimento da roda do Dhamma”. Nas escrituras o Buddha se declarava “um professor de mão aberta”, que não escondia aspectos de seus ensinamentos. Ele ensinou o caminho completo de forma aberta para todos que quisessem ouvir, quando ainda era vivo. Os diversos ensinamentos “secretos” que afirmam terem sido revelados centenas ou milhares de anos após sua morte são considerados adições ao original, mas não a palavra do próprio Buddha.
    • Apesar do Theravada reconhecer a existência de Buddhas do passado e existência de mais Buddhas no futuro, não afirma a possibilidade de mais que um Buddha coexistindo ao mesmo tempo num universo. Atualmente ainda estamos dentro do sāsanā do Buddha Gotama e muitos milhares de anos após o término deste sāsanā, será a época do Buddha Meteya alcançar a iluminação e novamente pôr a roda do Dhamma em movimento.

Onde posso aprender mais sobre budismo?
Acesso ao Insight
O site Acesso ao Insight possui texto e guias de estudo tanto para principiantes como para praticante avançados, além de uma enorme coleção de suttas e livros diversos traduzidos para o português. Abaixo um link para o guia de estudos recomendados para principiantes onde você vai poder encontrar tudo que precisa saber sobre o budismo em geral e sobre a tradição Theravada.

Lista de Centros e Sites de Budismo Theravada no Brasil e em Portugal
O site Dhamma da Floresta possui uma lista completa com todos os sites, centros de meditação Theravada no Brasil e em Portugal além de livros para download gratuito em português.

Nalanda – Sala de Estudos
O site Nalanda possui uma grande variedade de artigos que abordam o relacionamento entre o budismo e questões contemporâneas.

Tenho muitas dúvidas sobre budismo. Como podem me ajudar?
Venha nos visitar pessoalmente. Não julgamos apropriado fazer muitos esclarecimentos por mensagens eletrônicas pois é difícil avaliar a pessoa com quem estamos conversando para então dar a melhor resposta possível. Tomamos o ensinamento do Buddha muito a sério e julgamos que vale a pena ir pessoalmente a um lugar específico para fazer contato com ele, ao invés de apenas sentar em frente um computador e teclar perguntas. Estamos cientes de que muitos moram longe e não têm a possibilidade de vir pessoalmente, mas nós também temos nossos limites e não podemos estar disponível para todas as pessoas, o tempo todo. Também é importante ressaltar que o budismo é uma filosofia muito extensa e profunda, não é de uma só olhada que você será capaz de aprender tudo. Muitas vezes o que é necessário é ter um pouco de paciência e ir aos poucos pesquisando, praticando e fazendo contato com outros budistas até todas suas dúvidas sejam esclarecidas.
Como faço para tornar-me monge/monja?
Onde virar monge/monja?
Atualmente não é possível a um(a) brasileiro(a) se ordenar caso não fale inglês pois nosso mosteiro ainda não está aberto a receber candidatos à ordenação. Em Portugal há um monastério mas é difícil conseguir um visto de residência para morar na Europa, portanto essa alternativa é inviável para a maioria das pessoas. A única alternativa possível aos brasileiros é a Ásia, nominalmente: Tailândia, Sri Lanka e Myanmar. O que significa que você deve encontrar um monastério que ensine em inglês num destes países ou aprender a língua local. Ou seja, aprender a falar inglês é a tarefa número um que deve ser realizada antes de sequer querer se preocupar com qualquer outra etapa desse processo. Também existe pelo menos um curso de tailandês em língua portuguesa, mas não temos notícias de curso de singalês ou birmanês.

Para homens:

      • Wat Marp Jan (http://watmarpjan.org/) O abade se chama Ajahn Anan, há vários monges estrangeiros morando lá.
      • Wat Bonnyawad (http://www.watboonyawad.com) Monastério de Ajahn Tan, o número de estrangeiros é menor, mas há sempre pelo menos um monge disponível que cumpre a tarefa de tradutor.
      • Wat Pah Nanachat (www.watpahnanachat.org) É um bom monastério, mas só há ocidentais e em sua maioria europeus ou norte-americanos. O lado ruim disso é que morando lá há pouco contato com monges tailandeses.

Para mulheres:

O site bhikkhuni.net tem um diretório de muitos monastérios na Ásia onde é possível encontrar ordenação como bhilkkhuni, basta acessar esse link: http://www.bhikkhuni.net/directory/

Como é a vida monástica?
Em primeiro lugar, é preciso explicar que “monge/monja” dentro do budismo Theravada significa “monástico”, ou seja, uma pessoa que se dedica a uma vida de celibato, simplicidade e reclusão. Deveria ser óbvio, mas infelizmente não é – já a algum tempo algumas tradições budistas abondaram o monasticismo mas não abondaram o termo “monge/monja”, o que gera uma considerável quantidade de confusão e mal-entendido.

De qualquer forma, no Theravada existem monges que observam todas as regras de conduta (Vinaya) e existem monges que não o fazem. Os que não observam a regra são maioria, mas mesmo estes ainda observam ao menos as quatro pārājikas: voto de celibato, não roubar, não matar seres humanos e não mentir dizendo ser iluminado ou possuidor de grande elevação espiritual. Qualquer monge que quebre uma dessas quatro regras automaticamente invalida sua ordenação monástica, ou seja, não é necessário expulsá-lo da ordem monástica pois assim que ele cometeu um desses atos ele já não é mais monge.
A verdade é que o Buddha não disse que observar a regra monástica era opcional, mas com o passar do tempo o nível dos praticantes vai diminuindo e várias linhas de raciocínio são inventadas para justificar o abandono da disciplina. De qualquer forma, em geral, aqueles que têm real intenção de seguir o caminho de prática que leva à iluminação escolhem observar o código monástico estabelecido pelo Buddha integralmente, por respeito ao Tathāgata e também por enxergar no Vinaya um excelente exercício espiritual que aumenta em muito as chances de sucesso do praticante. A maioria dos grandes mestres estão nos monastérios onde a regra monástica é observada.

Quem quiser entender um pouco mais sobre a regra monástica pode ler a introdução do manual de Vinaya escrito por Ajahn Geoff, mas aviso, para que os interessados não se assustem, que na vida real um monge não utiliza todas essas regras, eles em geral só memorizam os pormenores das regras que se aplicam ao dia a dia deles. Por exemplo, existem regras sobre como construir uma cabana (kuti). Um monge que raramente se envolve em tal atividade não vai saber exatamente qual é a regra, mas vai saber que existe uma e se um dia ele tiver que construir uma cabana ele então vai consultar o livro para saber quais são as estipulações da regra. Ou seja, praticar o Vinaya não é uma tarefa tão assustadora como dá a entender uma leitura do livro e além disso, com o tempo, passa mesmo a se tornar parte de sua personalidade pois todas as regras apontam para um princípio espiritual e quando você internaliza aquele princípio, você naturalmente age dentro da regra monástica.

Neste link há várias biografias que podem ajudar a ter uma ideia melhor de como é e quais os desafios e recompensas da vida monástica: http://dhammadafloresta.org/2013/09/biografias/. Neste outro link há uma descrição do processo para tornar-se monge na Tailândia, a maioria dos monastérios segue um sistema parecido: http://www.watpahnanachat.org/ordaining.php. E aqui há um exemplo de rotina diária de um monastério: http://watmarpjan.org/en/contact/visiting/#tab-1-2-daily-schedule. Aqui há um vídeo onde dá para ver um pouco da vida dentro de um monastério: https://www.youtube.com/watch?v=xgaAY38L__A

Em monastérios de floresta não há “escola de Dhamma” com turma, professor e aulas formais. Em geral há uma biblioteca e é responsabilidade dos interessados estudarem o Tipitaka e cuidarem de sua instrução teórica e prática. Quaisquer dúvidas podem ser esclarecidas com o abade do monastério ou com os monges mais velhos. O ambiente de um monastério tailandês é em geral bastante descontraído e você certamente fará ótimos e sábios amigos lá que lhe ajudarão a enfrentar as dificuldades do caminho.

Quanto dinheiro preciso para virar monge?
Se for se ordenar num mosteiro da tradição da Floresta Tailandesa, no mínimo irá precisar do valor de uma passagem de ida até a Tailândia (se você é uma pessoa prudente, também irá querer ter em mãos o valor da passagem de volta para caso você mude de ideia sobre ordenar-se), e uma quantidade mínima de dinheiro para locomover-se e suster-se até que você receba ordenação como noviço (algo em torno de 500 dólares) e a partir deste ponto você renuncia à posse e uso de dinheiro. Nos monastérios vinculados a Ajahn Chah, tudo que é oferecido é bem comum da comunidade e é distribuído de acordo com a necessidade de cada um. Ou seja, uma vez que você tenha se ordenado você não precisa de dinheiro algum, caso surja alguma situação que requeira despesa financeira e caso seja possível e apropriado, ela será arcada pela comunidade.

Em monastérios Dhammayuta não há uma forma padrão de funcionamento, em geral é esperado que os monges tenham fundos financeiros próprios depositados com um leigo, que então fica responsável por cuidar das despesas daquele monge. Ou seja, o monastério não te ajuda mas o dinheiro que é oferecido é de alguma forma repartido entre os monges. O monge não tem controle direto sobre o dinheiro, sempre que ele precisa que algo ele precisa informar ao leigo e esperar que esse faça a compra.

Um comentário que gostaria de adicionar aqui é sobre as ocasiões em que terceiros se voluntariam a financiar aqueles que querem virar monge ou monja. Isso já aconteceu algumas vezes no Brasil, alguns casos deram certos e outros não, quer dizer, a pessoa foi até um país ou outro passar um tempo no monastério mas não gostou ou não conseguiu se adaptar e resolveu voltar. Felizmente ainda não ocorreu de pessoas mal intencionadas se aproveitarem da boa vontade alheia para passear de graça. Não há nada de errado em mudar de ideia, mas é claro aqueles que gastaram milhares de dólares pagando passagens e cobrindo outros custos devem se sentir não muito felizes em ver o dinheiro sendo jogado fora desse jeito. O que posso sugerir é olhar sobre o ângulo da realização de mérito, e assim poder ficar um pouco mais tranquilos, porque afinal, a intenção de vocês estava correta e a parte que lhes cabia vocês cumpriram de forma perfeita: a pessoa de fato teve a oportunidade de ir até o monastério, e se ela não permaneceu, a culpa não foi sua. Ou seja, a boa ação foi realizada de forma completa por aqueles que fizeram as doações e a eles são reservados os méritos dessa doação.

Já aqueles que querem virar monge ou monja deveriam refletir antes de aceitar ajuda externa se vocês realmente têm opções ou não. Aceitar uma ajuda desse tipo deveria ser um último recurso reservado a situações extremas. Uma forma fácil de testar se vocês têm disciplina e força de vontade suficientes para tornar-se um bom monge é se esforçar e acumular os recursos necessários para pagar pelo menos uma passagem de ida até a Tailândia. Acho que é seguro dizer que se uma pessoa não consegue ter disciplina em economizar, não consegue abrir mão de pequenos luxos e prazeres, não tem paciência para juntar o dinheiro pouco a pouco, ou ainda mais grave, não possui um mínimo de qualidades para conseguir arrumar e suster um emprego, por mais simples que ele seja, provavelmente também não vai conseguir enfrentar os desafios da vida monástica. Pensem nisso.

Quem deve virar monge?
A vida laica é muito apropriada para desenvolver os estágios iniciais da prática, acumular paramīs e assim por diante, e a vida monástica é mais útil quando a pessoa achar que já está forte o suficiente para enfrentar o grande inimigo: si mesmo. Mas é óbvio, não é obrigatório, algumas pessoas vão escolher só seguir o caminho laico, outras vão optar por fazer uso da ferramenta que é a vida monástica. Cada um escolhe por si mesmo. Em geral recomendamos às pessoas tentar levar a prática laica mais à frente antes de querer se aventurar com a vida monástica.

Dito isso, alguns casos especiais merecem atenção:

      • Pessoas com problemas de saúde: é bom considerar com cuidado porque se você já está enfraquecido com problemas de saúde frequentes, o fardo disso associado à dificuldade em adotar um novo estilo de vida tão diferente podem ser um pouco demais.
      • Pessoas com mais de 45 anos: o corpo de uma pessoa com mais de 45 já não se adapta facilmente a novas situações, sentar no chão por várias horas sem zafu (na Tailândia eles não usam), dormir no chão duro, o calor, conteúdo da dieta mas também o fato de ser uma só refeição ao dia, andar descalço, mosquitos, etc., são um desafio ainda maior que para alguém mais jovem. Com relação à mente, aprender um novo modo de ser, decorar a regra monástica, memorizar suttas, estar no fim da hierarquia – você vai ter que prestar reverência a pessoas às vezes 20 anos mais jovens que você; em vez de dar conselho, vai ter que ouvir o conselho deles, etc… Tudo isso adiciona às dificuldades que alguém mais jovem em geral não enfrenta. Mas ainda assim, nada de muito ruim acontece e muitos se tornam ótimos monges.
      • Pessoas com problemas psiquiátricos: Algumas pessoas tornam-se monge achando que assim seus problemas vão desaparecer mas não é bem esse o caso pois o treinamento já é difícil e exigente mesmo para uma pessoa com bom equilíbrio emocional, que dizer para alguém enfrentando dificuldades crônicas. Em alguns casos a pessoa não melhora em nada, alguns ficam piores. Já vi alguns tendo de ser sedados e mandados para o hospital psiquiátrico (quando chega a esse ponto é comum a pessoa ser expulsa da ordem monástica) e vez por outra ocorrem mesmo casos de suicídio. Não sei de nenhum caso que acabou bem, mas talvez seja porque as pessoas não falam, geralmente o que chega até nós são os casos extremos que acabaram mal.

E algumas dicas práticas:

      • Se vai morar na Tailândia, aprenda a falar tailandês.
      • Antes de sair do Brasil deixe uma procuração com algum parente para que eles possam resolver quaisquer questões burocráticas sem sua presença.
      • Virar monge qualquer um vira, permanecer monge, quase ninguém.
      • Não vá para fugir de algo, vá para enfrentar algo.

O conselho final é: pare de ficar procurando conselhos pois essa é uma tarefa tão difícil que não há conselho que resolva. Se a pessoa não tiver as qualidades necessárias para vencer sozinha esse desafio, conselho algum vai ajudar. A única coisa que resta dizer é “Boa sorte!”

Qual a etiqueta de comportamento dentro de um centro budista? E como me comportar com relação aos monges e monjas?
Dê preferência a roupas confortáveis e discretas: as roupas devem ser modestas e simples. Não se deve usar roupas transparentes, colantes, decotadas, tais como shorts, bermudas, minissaias, roupas sem mangas, camisetas regatas etc.Evite apontar os pés para os monges ou estátuas do Buddha.

O modo correto de cumprimentar a um monástico é fazer o gesto de anjali (gashô), com as palmas juntas à altura da cabeça ou peito. Apesar de não ser proibido, em geral pede-se que evitem apertar a mão ou abraçar os monges e monjas.

Procure sempre chegar às salas antes do instrutor.

Entre descalço e sem chapéus nas partes interiores do templo.

Não é permitido o consumo de quaisquer intoxicantes nas dependências da Sociedade Budista do Brasil.

Desligue celulares e demais aparelhos eletrônicos que produzam quaisquer tipo de ruídos, respeitando assim o Nobre silêncio.

Não é permitida a utilização de inseticidas. Para aqueles que se sentirem incomodados pela presença de insetos, favor utilizarem repelentes que não exalam forte odor, evitando assim incomodar os participantes.

O que é Dāna e como posso ajudar o Mosteiro?
Dāna é a palavra em páli para caridade, e, em geral, é utilizada para se referenciar a doações feitas com o propósito de ajudar o Buddha Sāsana. O Buddha dizia que de todos os fenômenos condicionados, seu ensinamento, o Dhamma, é o mais excelente, e colaborar para que este ensinamento prospere e possa ser transmitido a mais pessoas é uma das ações mais meritórias que uma pessoa pode realizar. O bom carma desta ação de diversas formas serve para plantar as condições para que aquela pessoa progrida no caminho para a iluminação. Você pode doar com trabalho, com itens de materiais (produtos de limpeza, material de construção, alimentos), realizando um serviço do qual estejamos necessitando, fazendo uma doação monetária avulsa ou tornando-se um Amigo da SBB. Para mais informações clique aqui..
Como dedicar méritos a outra pessoa ou a um propósito?
É muito comum pessoas realizarem atos meritórios mas então preferirem dedicar o bom carma destes a uma outra pessoa, viva ou falecida. Isto é chamado de transferência de mérito. Já em outras situações, a pessoa tem um objetivo em mente e gostaria de direcionar o bom carma realizado para auxiliar naquele projeto. Neste caso, a pessoa também pode dedicar os méritos para tal propósito. Em geral isto só deve ser feito para fins nobres como: “que eu supere meu hábito da raiva”, “que eu tenha sempre bons amigos”, e assim por diante. Apesar de não ser proibido, é desencorajado dedicar méritos para fins mundanos, como ganhar uma promoção no trabalho, passar na faculdade, etc.Em ambos os casos, o procedimento para transferir os méritos é igual: após fazer a doação, pegue uma pequena quantidade de água num copo e um pires, ou algum outro receptáculo, e com a mente calma e serena, mentalize o propósito ou a pessoa que quer ajudar, e ao mesmo tempo, lentamente despeje a água no pires mantendo aquela intenção em mente. Neste caso a água serve de símbolo para sua oferta de mérito. Terminado, despeje o conteúdo em uma planta (se possível, numa árvore Bodhi).

Se você estiver fazendo a doação perante um monge, você pode pedir que ele recite o cântico de anumodana, e enquanto ele recita, você despeja a água e faz sua mentalização. Essa cerimônia é uma forma de ajudar a focar a mente e dirigir o fluxo dela para um auspicioso propósito, mas é só isso: o poder não está na cerimônia em si, mas sim na qualidade mental de quem a realiza.Não há regras específicas sobre o que pode ou não ser oferecido, mas em caso de dúvida, pergunte-nos o que estamos necessitando atualmente. Às vezes podem ser alimentos, medicamentos, produtos de limpeza, impressão de material didático, auxílio financeiro, etc., mas uma das formas mais tradicionais e bonitas de fazer mérito é oferecer suporte a um monge ou monja, dando comida, oferecendo tratamento médico, etc.

Outra forma muito auspiciosa de ajudar o Buddha Sāsana é colaborando para a construção de edificações no monastério, quer sejam habitações, construção de um templo, ou mesmo cozinha e banheiros: é dito que esse tipo de dāna gera muito mérito porque o que foi construído durará dezenas de anos e permitirá que centenas,  ou mesmo milhares, de pessoas estudem o Dhamma.

Glossário de termos mais comuns
Aqui você encontrará o significado de algumas expressões que usamos bastante, mas que podem ser novas e estranhas para quem está chegando agora. A maioria das palavras vem do idioma Páli.Para consultar um glossário mais completo, você pode acessar o glossário do site Acesso ao Insight, onde encontrará um número maior de palavras.

AJAHN – Professor. Na linhagem da Forest Sangha, o monge precisa ter no mínimo 10 anos como monge para que possa começar a ser chamado de Ajahn.
ANATA – não-eu, ausência de essência.
ANICCA – impermanência.
ANUMODANĀ – significa “muitos méritos” ou “eu me regozijo nos seus méritos”; forma de agradecer.
ARAHANT – alguém plenamente iluminado, liberto, que realizou Nibbana.
BHANTE – Venerável Senhor; vocativo para se dirigir e/ou se referir a monges plenamente ordenados. Mais usado na tradição cingalesa que na tradição tailandesa.
BHIKKHU – monge da tradição Theravada.
CÂNONE PÁLI – conjunto de livros em que estão registrados os ensinamentos dados pelo Buddha.
DĀNA – generosidade ou doação.
DHAMMA – o conjunto de ensinamentos do Buddha.
DUKKHA – sofrimento, insatisfatoriedade.
KALYĀNAMITA – amigo espiritual, amigo do Dhamma.
LEIGO – sinônimo de laico, se refere àquele que não é monge ou monástico.
LUANG PÓ ou LUANG POR – Venerável Pai ou Venerável Avô; maneira bastante reverente se referir a / tratar com monges muito sêniors e muito estimados.
MAHĀ – grande.
METTĀ – amor-bondade, amizade amorosa, boa vontade.
MUDITĀ – o oposto da inveja, sentimento de felicidade por algo bom que aconteceu a outra pessoa, que outra pessoa possui ou realizou.
NIBBĀNA – liberação, quando se atinge a iluminação plena.
PÁLI – idioma em que os ensinamentos do Buddha foram originalmente registrados, criado especificamente para este fim.
PAÑÑĀ – sabedoria.
PINDAPATA – caminhada diária realizada pelos monges nos vilarejos próximos de onde estão para esmolar os alimentos que consumirão na refeição daquele dia.
PŪA – homenagem, palavra usada para se referir à sequência de cânticos que reverenciam o Buddha, o Dhamma e a Sangha.
SĀDHU – muito bom, excelente. Forma de agradecer aos ensinamentos oferecidos e/ou de expressar profundo contentamento em relação a alguma coisa.
SAMĀDHI – estado de concentração profunda.
SAMSĀRĀ – ciclo incessante de renascimentos e mortes nos diversos reinos de existência, do qual se liberta através de Nibbana.
SANGHA – os monges, aqueles que abriram mão da vida laica para seguir os ensinamentos do Buddha.
SATI – a capacidade de aplicar a mente a um objeto mental, presença mental.
SĪLA – ética, moralidade.
TAN – Venerável Senhor; forma de se referir e/ou tratar com monges plenamente ordenados que não sejam professores. Para professores/monges com mais de 10 anos de ordenação, é possível usar Tan Ajahn.
THERA – ancião, monges com mais de dez anos de vida monástica.
TIPITAKA ou TRIPITAKA – os três conjuntos de textos que compõem o Cânone Páli: regras de disciplina (Vinaya), discursos do Buddha (Suttas) e tratados de filosofia (Abhidhamma)
UPĀSIKĀ (feminino)  e UPĀSAKA (masculino) – discípulos leigos do Buddha.
VASSA – os meses da estação das chuvas na Ásia (agosto, setembro e outubro). Expressão também usada para falar do tempo que um monge tem na vida monástica, desde a sua ordenação plena.
VIHĀRA – templo ou mosteiro budista.
VINAYA – conjunto de livros que contém o código de disciplina monástica; muitas vezes, usa-se a palavra para se referir ao código de disciplina monástica em si.
ZABUTON – colchão sobre o qual colocamos o zafu para meditar.
ZAFU – almofada redonda para se sentar em meditação.